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História

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Evolução histórica

Dos primórdios ao fim da época medieval

De acordo com as escavações e estudos até agora realizados, a presença humana no território grandolense remonta, pelo menos, ao Mesolítico, período a partir do qual existem estações arqueológicas de quase todas as épocas posteriores.

De realçar que, na Antiguidade, o período Romano foi, muito possivelmente, aquele em que o espaço grandolense atingiu os maiores índices de povoamento e desenvolvimento económico e social.

Após a formação do espaço nacional, o território ficou a pertencer ao termo de Alcácer do Sal e, na sua maior parte, à Ordem Militar de Santiago da Espada. A primeira medida, que abriu a porta à posterior instituição do concelho e ao desenvolvimento deste espaço, foi a criação da comenda de Grândola, por volta de 1380 (no reinado de D. João I). Na sequência deste acontecimento, e da política de povoamento levada a efeito pelos reis e pela Ordem de Santiago, o território grandolense começou a progredir. Foram distribuídas terras, edificadas as primeiras ermidas e moinhos, e o lugar da Gramdolla adquiriu o estatuto de aldeia.

Nos finais da época medieval, a aldeia de Grândola tinha cerca de 150 habitantes, e a Comenda, no seu conjunto, cerca de 900, distribuídos por cerca de 220 fogos.

Do princípio de Quinhentos a finais do século XIX

Em franco progresso, a população da Comenda solicitou, a D. João III, que atribuísse a Grândola a Carta de Vila e a libertasse da tutela de Alcácer do Sal, o que veio a suceder a 22 de Outubro de 1544.

Na sequência desta atribuição, foi criado o Concelho (no espaço da Comenda) que foi dividido em três freguesias: Grândola, Bayrros e Santa Margarida da Serra. (De referir que, entre 1544 e 1855, o Concelho era menos extenso e interior).

Com a autonomia municipal, o Concelho entrou numa fase decisiva da sua História, e passou a dispor de dois juízes ordinários, três vereadores, um procurador, dois almotacés, um escrivão, três tabeliães, um juiz dos órfãos, um alcaide-pequeno, várias Quadrilhas (com funções de polícia) e três companhias de Ordenanças.

Até finais do século XVI, a Vila viu surgir algumas construções emblemáticas, como os paços do concelho, a cadeia, o pelourinho, o 1.º hospital, o celeiro da comenda, a Santa Casa da Misericórdia e algumas ermidas e igrejas. Há, ainda, notícia de, em 1579, ter sido instituído um celeiro comum, que funcionou até cerca de 1880, e teve como função o empréstimo de cereais para sementeira a lavradores pobres, e a juros reduzidos.

Por volta de 1600, a população do concelho rondava as 1550 pessoas, e Grândola, principal núcleo urbano, tinha cerca de 480 (distribuídas por 120 fogos). Progressivamente, nos dois séculos seguintes a população aumentou e, em 1798, foram recenseados cerca de 4000 habitantes, distribuídos por cerca de 977 fogos.

Em termos económicos, continuaram a prevalecer as actividades tradicionais, nomeadamente a cerealicultura, a vitivinicultura (na várzea de Grândola), a pecuária e a caça. No que se refere a indústrias, há que realçar a moagem, a tecelagem, a construção civil, a produção de vestuário e calçado e, em menor escala, a tanoaria, a olaria e a cerâmica.

Na 2.ª metade do século XIX apareceram duas actividades que alteraram o perfil económico e social do Concelho: a indústria mineira (com início em 1863 no Canal Caveira e mais tarde no Lousal) e a indústria corticeira.

O comércio, ligado essencialmente às actividades económicas tradicionais e à transacção de bens de primeira necessidade, foi outra das actividades que teve um desenvolvimento progressivo, ainda que lento. Em 1513 já havia uma estalagem no Concelho (na Anisa) e as primeiras feiras anuais, a de Santo António e a de S. Lourenço, começaram a realizar-se a partir de 1642.

De realçar, que em 1855, decorridos mais de quatro séculos sobre a sua criação, o Concelho viu aumentado o seu território, com a anexação das freguesias de Melides e de São Mamede do Sádão, e as suas fronteiras atingirem o litoral.

Na sequência desta anexação e das alterações económicas e sociais entretanto verificadas, a população continuou a aumentar. Em 1864, foram-lhe atribuídos 5553 residentes, distribuídos pelas suas quatro freguesias (Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão, Grândola, Melides e Santa Margarida da Serra), em 1890 o seu número aumentou para 6887 e, em 1900, para 7539.

Século XX

Na história deste concelho, o século XX foi, sem dúvida, aquele em que se verificaram as mais significativas mudanças económicas, demográficas e sociais.
Ao nível da Agricultura assistiu-se ao incremento da cultura de cereais, nomeadamente do trigo, fomentada pela política proteccionista e ruralista do Estado Novo, que teve o seu auge durante a chamada Campanha do Trigo. Nas várzeas de Melides e do Carvalhal, adquiriu crescente expressão a cultura do arroz.

Beneficiando da construção da linha férrea do Vale do Sado, a indústria corticeira ganhou um novo impulso, e surgiram dezenas de fábricas de diversa dimensão (a maior, de Inocêncio Granadeiro, chegou a ter mais de 300 trabalhadores).

Se bem que as minas da Caveira tivessem entrado em declínio e encerrado, as do Lousal, sob a égide do grupo Mines et Industries, criado em 1936, aumentaram os níveis de exploração, e fizeram do local um pólo de desenvolvimento que, em 1960, atingiu cerca de 2 000 habitantes.

Devido a este surto de crescimento económico, instalaram-se no Concelho milhares de pessoas, que fizeram disparar os índices demográficos. Assim, a população, que atingia as 7801 pessoas em 1900, subiu sucessivamente para 10246 em 1911, 11159 em 1920, 13677 em 1930, 17566 em 1940, e 21216 em 1950, ano em que foi atingido o máximo demográfico.

Com o aumento do número de trabalhadores rurais, operários e mineiros, a elevação da consciência política, o agravar das condições de vida e a repressão salazarista, vieram as greves e outras manifestações populares. Foi elevado o número de pessoas detidas por razões políticas, o que trouxe a Grândola a fama de terra revolucionária.

O aumento populacional contribuiu, ainda, para o aparecimento de Associações culturais, desportivas e recreativas, nomeadamente na sede do Concelho e, entre elas, a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, que inspiraria a José Afonso a célebre canção Grândola Vila Morena.
Após décadas de crescimento e desenvolvimento, o Concelho viu abater-se sobre si o espectro de uma grave crise, que desmantelou as suas principais estruturas económicas e de suporte social.

O fim do proteccionismo e dos incentivos contribuiu para a diminuição da produção de cereais e do número de agricultores, o que levou ao despovoamento progressivo das zonas rurais do Concelho.

A indústria corticeira, sob a pressão da concorrência dos grandes grupos económicos do sector, viu encerrar as suas fábricas e tornou-se residual.

A extracção mineira, que atingiu no Lousal o seu auge entre as décadas de 40 e 60, deixou de ser rentável, o que levou ao encerramento das minas em 1988. Devido a esse facto, a povoação mineira sofreu uma drástica redução populacional, e ronda hoje os 300 habitantes.

Devido a este conjunto de acontecimentos e, ainda, à repressão política e às guerras coloniais, uma parte significativa da população migrou (península de Setúbal, Lisboa, França, Alemanha e Luxemburgo foram os principais locais de destino). De 21060 habitantes recenseados em 1960, o Concelho passou para 15525 em 1970, 16042 em 1981, e 14417 em 1991. Em concomitância com esta redução, verificou-se a diminuição do número de jovens (e o encerramento de muitas escolas), de trabalhadores activos, e o aumento dos índices de envelhecimento.

Com o advento do 25 de Abril de 1974 e as alterações político-sociais daí decorrentes, o Concelho entrou numa nova fase da sua História. Com a Democracia, o poder autárquico adquiriu nova expressão, e introduziu alterações a nível dos equipamentos sociais, que vieram melhorar significativamente a vida da generalidade da população.

Esgotados os anteriores, surgiram paradigmas económicos mais consentâneos com as novas realidades. De concelho agrícola, operário e mineiro, Grândola tem vindo, paulatinamente, a transformar-se num espaço de desenvolvimento turístico e de oferta de serviços, apostado na preservação ambiental e na oferta cultural.

Sustido o declínio, tem-se verificado, nos últimos anos, um aumento populacional e prevê-se que os grandes investimentos em curso e a crescente procura turística conduzam ao acentuar deste aumento nos anos que se avizinham.

Assim, devido à sua localização geográfica, à diversidade e preservação da sua paisagem, à qualidade das suas vias de comunicação, aos investimentos em curso e ao empenho dos seus habitantes, Grândola é, seguramente, um dos concelhos alentejanos com maiores potencialidades de desenvolvimento.